O que aprendi no SXSW

Talita Ioriopor Talita Iorio, gerente de marketing do Twitter Brazil e colunista desse portal.

O South by Southwest (SXSW) é um conjunto de festivais de cinema, música e tecnologia que acontece toda primavera  (normalmente em Março) em Austin, Texas, Estados Unidos. Tudo começou em 1987, e tem continuado a crescer em tamanho a cada ano. Eu estive lá esse ano e algumas semanas depois do final do SXSW, finalmente consegui digerir tudo. O SXSW 2015 foi o meu primeiro. Ao chegar, me deparei com muita (MUITA) gente, uma agenda abarrotada e a perspectiva de ver dezenas de atrações imperdíveis ao longo de nove dias. Corri feito louca, dormi muito pouco e perdi muitas das coisas que eu queria ter visto, mas foi sensacional. E um tema constante e surpreendente do festival para mim foi empatia. Aprendi que as pessoas que estão lá se expondo são – ou já foram um dia – gente como a gente. Elas aprendem com erros igualzinho a eu e você. Aqui uma amostra do que eu absorvi naqueles dias:

1. O olhar do outro importa

O RZA é o líder e produtor do Wu-Tang Clan, além de ator, cineasta, e um cara que merece muito, mas muito respeito. Fui ver um keynote em que ele contava sobre a experiência de fazer um filme pela primeira vez. Segundo ele, a primeira versão do filme tinha três horas, e, como artista, “the RZA” não gostou quando o estúdio veio pedir para que ele o encurtasse. No entanto, depois de muito debate, o que ele aprendeu é que a obra é feita para o público, e que ele precisava adaptá-la para o olhar alheio: “você precisa entrar na sala de edição e matar seu filho”.

https://vine.co/v/OYUOmQjZHOg

“You have to streamline your story – that’s what editing is about. (…) Go in the edit room and kill your baby”

https://twitter.com/WeArePlanetary/status/577515659791220738

 

2. Não existe cedo demais 

Uma das atrações me chamou especialmente a atenção: era uma banda de metal de adolescentes da sétima série, vindos do Brooklyn, NY, chamada Unlocking The Truth. Esses moleques tocam MUITO bem e vieram ao SXSW apresentar o documentário sobre a profissionalização da banda e fazer shows. E eles têm 15 anos, muitas dúvidas na cabeça, muita pressão para entregar um album e cuidar de um boletim, tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Meu eu adolescente se identificou com a vontade de se expressar através da arte e só fazer o que quer. Já meu eu adulto se identificou com as muitas responsabilidades acumuladas e a pressão. De qualquer forma, aprendi que, se você tem algo a dizer, agora é a hora, e não depois.

https://vine.co/v/OYUip6wIe29

https://vine.co/v/OYeM9Pu9Ir6

 

3. As pessoas são acessíveis

No SXSW, é fácil esbarrar nas pessoas que estão apresentando algo no festival. Conheci pessoalmente os produtores de Dominguinhos, descobri que o vocalista do Incubus é amigo de um amigo meu, minha amiga trocou uma ideia com o Henry Rollins e vi o RZA na rua (meu amigo apertou a mão dele, acredita?). Quase todo mundo é acessível aqui. Tão acessível que durante o show do Run The Jewels um doido subiu no palco e resolveu “brincar de lutinha” com o Killer Mike, um cara grande e invocado. Nada de ruim realmente aconteceu, mas o fato do cara conseguir subir no palco me chamou a atenção: em quais festivais você realmente tem a chance de chegar perto dos artistas?

E, claro, tem o Bill Murray. O Bill Murray vem todo ano ao festival como expectador, e se você for sortudo o suficiente, vai dar de cara com ele em algum bar ou show.

https://twitter.com/mkempeastbay/status/577920193982279680

https://twitter.com/lyndseyparker/status/577687032966737920

https://twitter.com/myjoecard/status/579505305131724800

https://twitter.com/cleanbandit/status/579498708410109952

https://twitter.com/RobWillsea/status/579464869579071488

 

4. FOMO é uma constante – lide com isso

Finalmente, a coisa mais importante que eu aprendi no SXSW é a ter flexibilidade. Quase nada sai do jeito que a gente planeja e tem muitas coisas maravilhosas para ver ao mesmo tempo. É preciso controlar o famoso Fear Of Missing Out: filas gigantes, salas cheias e uma agenda abarrotada obrigam a gente a ter jogo de cintura e se adaptar – e quem não consegue fazer isso morre de frustração. Suspeito que esse seja um ensinamento para a vida. 😉

 

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