Leões dopados, pão e circo

ULeão dopadom dia desses vi nas redes sociais mais uma daquelas fotos clichês que aparecem por aí onde a pessoa está tocando aquele felino enorme de aproximadamente 300 quilos, com um sorriso forçado tentando esconder o medo.

Para mim, uma cena desprezível. Estes animais normalmente estão desnutridos, dopados e sem dentes para evitar que a natureza deles venha à tona e um “acidente” aconteça com algum turista – o que seria o natural se o animal não estivesse nessa triste condição.

Quando olhei para aquele Leão triste, condicionado e limitado, vi algo que acontece todos os dias no mundo corporativo.

É mais do que comum e não tem idade para isso. Muitas pessoas se questionam diariamente o que querem de suas vidas, profissionalmente falando. Além do mais, a opção de carreira, ou a soma das opções, invariavelmente afetam o estilo e qualidade de vida das pessoas.

Para aqueles que consideram extremamente importante o contato com a natureza e uma vida mais tranquila, incomodam-se com o caos urbano e tudo mais que vem junto neste pacote. Deve ser atordoante ficar no mínimo 9h do seu dia sentado em uma cadeira, “protegido” das intempéries do tempo, olhando para telas e mais telas, atrás de uma gravata ou se equilibrando num salto alto e cumprindo sua jornada de trabalho controlada por um relógio de ponto. Para outros, de natureza diferente, pode ser mais fácil.

Quanto da felicidade e produtividade desses indivíduos que não se enquadram ao “padrão” pode ser abalada por conta da lista de regras generalistas impostas a todos, sem exceção? Quantos Leões que poderiam estar fortes, com o pelo brilhante, correndo pelos campos, cumprindo seu papel no mundo de maneira plena e feliz dentro de sua cadeia alimentar?

Poucas são as empresas que possuem em seu DNA a flexibilidade exigida e gestores preparados para reconhecer e saber incentivar ao máximo os talentos de cada profissional de maneira única, respeitando sua natureza e obtendo melhores resultados para a empresa e para os seres humanos envolvidos neste sistema.

Garantir o “pão de cada dia” e algum “circo” faz parte do plano comum. Mas é triste pensar que este seja o ÚNICO plano de muitos profissionais. Cadê o tesão? A realização? O orgulho em se trabalhar em determinada empresa?

PODER (em todos os sentidos) um dia da semana levar seu filho pessoalmente à escola. Num dia tranquilo, poder sair mais cedo para encontrar um amigo. Num mal dia, ter a liberdade de dormir até mais tarde. Poder até levar seu cãozinho para o escritório. Resumindo: ser o dono de sua vida, administrar suas responsabilidades e ser avaliado por sua produtividade, e não, por quantas horas se passa sentado na frente de um computador. Será que é tão difícil?

O que observo é que está faltando brilho no olhar e respeito à natureza de cada um. Estamos iniciando 2015, e a esperança é que mais líderes despertem para essa questão e deem continuidade para mudanças que empresas como o Google e Facebook (entre outras) começaram a fazer, proporcionando aparatos tecnológicos suficientes para que todos possam trabalhar remotamente de onde lhes for mais conveniente e tenham liberdade para isso. Faz mais sentido, não?

E acho que, para finalizar, também cabe refletir se você quer ser o Leão dessa foto. Se não quer, trace um plano e vá!

Camila Bellacosa é colunista desse portal e pode ser acionada pelo email camila.bellacosa@gmail.com

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