Marca Brasil – inovadora ou uma mesmice?

Apex_pantonepor Roberto Falcão, colunista desse portal.

Recentemente a APEX Brasil (a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos) resolveu criar um novo conceito de marca Brasil, fugindo dos clichês do carnaval e futebol, a Brasil Beyond. Para desenvolver este novo conceito, a APEX Brasil se baseou numa pesquisa conduzida em 16 mercados, e identificou que além de ser associado ao futebol e carnaval, o Brasil foi apontado por um reconhecimento pequeno da qualidade de seus produtos e serviços. Ora, será que os brasileiros não sabem fazer nada com qualidade com exceção de grandes eventos de entretenimento?

A ideia desta nova imagem na realidade é mostrar um pouco mais que nosso país é criativo e determinado, com entrega de qualidade e sustentabilidade. Desta maneira, os pilares de criação da nova marca foram as palavras criativo, determinado, qualidade e sustentável. Segundo informa a APEX Brasil, ela será trabalhada nos eventos dos quais ela participa, em torno de 1.200 ao ano.

Se pensarmos em produtos que se destacaram neste conceito, as havaianas são um exemplo pioneiro. E falando em pioneiros, por que não dar os créditos aos embaixadores da brasilidade como o pão de queijo, o guaraná Antarctica e mesmo as churrascarias rodízio que se estabeleceram no exterior. O estrangeiro que vem ao Brasil muitas vezes já teve algum contato com nossa culinária, talvez seja fã de algum dos espetaculares jogadores brasileiros espalhados pelo mundo ou pelo menos toma ou come algum produto de nossa culinária regularmente. O brasileiro, no entanto, possui diversos talentos no design, na música, na moda e na arquitetura. Os segmentos de negócios da economia criativa são o principal foco da Apex Brasil. O país também desponta cada vez mais como um talento no setor agropecuário, de biotecnologia, controle biológico. Por que a marca Brasil não remete a estes setores? Queremos negar nossa vocação agropecuária de celeiro do mundo?

Com o lançamento da marca gráfica das Olimpíadas Rio 2016, o debate sobre esta brasilidade implícita nas marcas se acirrou. Lembramos sempre dos famosos contornos de Oscar Niemeyer, a que ele atribuía ora às montanhas do contorno do Rio, ora às curvas das mulheres brasileiras.  Será que a sensualidade, a diversidade de raças e cores inerente de nossa cultura também não poderiam estar representadas nesta marca?

Faço um convite aos designers de marca para uma imersão numa análise mais semiótica dos diversos códigos de nossa cultura, como o código linguístico, o código religioso, o ritualístico, o dos elementos naturais, da tropicalidade. É possível conectar os vários sistemas de signos modelando nosso mundo de significados de diferentes maneiras, não acham? Vamos nos inspirar como tantos ícones da cultura brasileira fizeram: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano (música), Oscar Niemeyer e Zanini (arquitetura e design), Antonio Bernardo (joias), Ronaldo Fraga (moda), dentre muitos outros talentos brasileiros…

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