Secret: a terra sem lei

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O Secret, aplicativo que em meados de agosto esteve entre os tópicos mais falados no Twitter, e em primeiro lugar em downloads na App Store do Brasil tornou-se fonte de muita polêmica.

Para quem ainda não conhece, se trata de um app onde usuários podem (ou podiam…) compartilhar mensagens e também imagens anônimas, que permanecem ali, disponíveis para serem curtidas e comentadas. No meu entendimento: encrenca na certa.

Por pura curiosidade, baixei o aplicativo. Lá comecei a ler os segredos e desabafos de amigos e amigos de amigos, em sua grande maioria. Admito que dei algumas risadas, mas o sentimento de repulsa e revolta foi muito maior do que meu divertimento. Vi muitas ofensas, atos de maldade e preconceito. Comecei a me questionar sobre a moral, costumes e ética nesse ambiente virtual, que está cada vez mais presente em nosso dia a dia e no comportamento das pessoas quando protegidas pelo anonimato.

Lendo sobre o assunto fiquei ainda mais preocupada com como as pessoas se apropriaram dessa ferramenta para praticar bullying (principalmente entre adolescentes), confissões envolvendo nome e sobrenome de uma terceira pessoa, entre muitas outras atitudes que são repudiadas pela sociedade e inibidas quando a identidade do emissor existe. Em contrapartida, também vi muitas declarações de amor e desabafos de situações engraçadas e embaraçosas (que aliás, me identifiquei com muitas, rs).

Como esperado, o aplicativo está sendo alvo de diversas denúncias e por conta disso desde a tarde do dia 21/08, o app não podia mais ser baixado da Apple Store brasileira. Além de determinar a suspensão do aplicativo, a Justiça decidiu ainda que as empresas devem também remover remotamente os aplicativos dos smartphones das pessoas que já os instalaram. Certo ou errado? Não sei. Mas é interessante observar o comportamento das pessoas quando anônimas. Aquele rapaz sério do seu círculo de amizade, que mantém um perfil impecável nas redes sociais (principalmente no LinkedIn), quando anônimo, é capaz de atitudes inimagináveis. Um pouco assustador, não? Mas por que o indivíduo na multidão anônima deveria seguir alguma regra? Escondido sob o anonimato, ele pode facilmente escapar às regras da coletividade sem temer qualquer sanção. Talvez o anonimato aumente a disposição das pessoas a se envolverem em comportamentos excepcionais e parece que existe uma busca na multidão anônima por pessoas que apoiem aquele comportamento.

Alguns amigos me acham careta, outros dizem que o aplicativo é realmente muito engraçado e não se ofendem com os “segredos” que estão por ali. Mas algo é inegável: imerso no anonimato, o indivíduo extrapola a si mesmo, para o bem e para o mal.

Camila Bellacosa é colunista desse portal.

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